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terça-feira, 28 de julho de 2009

um animal de estimação bem diferente


OS ANFÍBIOS DE ESTIMAÇÃO: Respiram na terra ou embaixo d'água. Nadam como serpentes, graças aos movimentos da cauda. As cores são variadas e há centenas de espécies. Que tal ter uma em casa?

Após o surgimento da vida no planeta, os anfíbios (da classe zoológica Amphibia) foram os primeiros animais que se aventuraram terra adentro. E até hoje, quando são inúmeras as formas da vida animal, eles conservam a sua ambigüidade: vivem, respiram e se alimentam, tanto na água como na terra. No ambiente aéreo, a respiração é pulmonar; embaixo d'água, a respiração se dá através da pele.

Na classe Amphibia há, basicamente, duas grandes ordens. Uma, reunindo aqueles que não apresentam cauda, como sapos e pererecas; e outra, denominada Caudata ou Urodela, que compreende os de cauda. Estes é que são popularmente conhecidos no Brasil como Salamandras.

São cerca de 400 espécies, dos mais variados tamanhos: desde alguns poucos centímetros até a Salamandra Gigante (Megalobatrachus japonicus) que chega a 1,60 m. Às vezes podemos ouvir falar em Tristões, da mesma ordem das Salamandras. Estes pertencem ao gênero Triturus, e preferem a vida na água. No Brasil, raramente são encontrados à venda. Em cativeiro, recebem os mesmos cuidados que as Salamandras.

Conta-se que, no decorrer dos tempos, as Salamandras foram alvo de lendas entre povos antigos. Eram confundidas com pequeninas criaturas mitológicas que viviam nas chamas, os "elementais do fogo". Tudo porque eram vistas saindo às pressas das fogueiras. É que, na natureza, costumam habitar troncos caídos, que poderiam ser usados como lenha.

Primitivas e lendárias, às vezes parecem miniaturas dos grandes répteis pré-históricos; em outras ocasiões são chamadas de lagartixas. Por não serem muito conhecidas no Brasil, a sua figura, a princípio, pode causar uma certa estranheza. Aos poucos, no entanto, vai ganhando admiradores.

As Salamandras, por vezes, apresentam um belo colorido. As cores mais freqüentes são o amarelo, o vermelho, o azul e o preto. E, bem tratadas e acomodadas, vivem 20 e 25 anos.

Originárias do hemisfério norte, elas têm seu habitat em riachos de águas frias e normalmente hibernam durante o inverno. A grande maioria delas (mais ou menos 70%) prefere a vida na terra a maior parte do tempo.

Partindo desses dados, não é difícil perceber que o ambiente ideal para se ter alguma em casa deve ser uma espécie de aquário, que conte com partes de terra firme. Em resumo, o ideal é um terrário úmido, que já é vendido no Brasil, mas que o próprio criador pode construir.

As dimensões do terrário variam. Para dois ou três exemplares, uma medida padrão seria: 40 cm de comprimento, 30 de largura e 30 de altura. Metade do espaço interno é ocupado por terra firme e metade por água, de uns 12 cm de profundidade. Pode-se decorar e colocar plantas (tanto na parte aquática como na terrestre) à vontade mas há algumas providências obrigatórias: a temperatura nunca deve ultrapassar os 23ºC, as paredes e o teto (construídos em vidro) têm que estar livre de frestas ou aberturas pelas quais os animais possam escapar e, finalmente, é necessário que se providencie algum tipo de rampa (um pedaço de madeira ou uma "praia") para que consigam entrar e sair da água com facilidade.

Caso não seja possível um terrário, devemos ter pelo menos um aquário com água rasa e uma ou mais pedras oferecendo uma parte emersa. Mas tudo sempre bem fechado. As Salamandras são hábeis fugitivas e conseguem escalar paredes de vidro.

Encontram-se à venda em lojas de peixes, sempre importadas. O preço, em função da importação, varia com o dólar.

3 novas especies de salamandras encontradas

Cientistas do Museu de História Natural de Londres descobriram três novas espécies de salamandras no sudeste da Costa Rica. Issto traz a nação um total de quarenta e três espécies, significando que essea pequena nação tropical contém aproximadamente nove por cento das salamandras do mundo.

Duas das espécies recentemente descobertas são noturnas e do gênero Bolitoglossa. O maior deles é unicamente colorido: um vermelho brilhante nas costas em contraste com o corpo preto com pequenos pontos de amarelo aparecendo em seus flancos. O outro é marrom com a parte inferior mais clara. A terceira espécie é uma salamandra anã—um membro do genero Nototriton—e não é maior que um quarto. Nenhuma das três espécies foram nomeadas: a Universidade da Costa Rica terá essa honra.


Brilhantemente colorida, essa nova espécie de salamandra é uma das 3 descobertas em uma floresta inexplorada na Costa Rica © Uma Monro
Dr. Alex Monro, que conduziu a expedição, diz que "descobrir tantas novas espécies em uma só área é muito animador. Particularmente porque esse é provavelmente o unico lugar do mundo onde você pode encontrar esses animais". A três novas salamandras foram encontradas na maior reserva da América Central, Parque Nacional La Amistad. O parque fica em sua maior parte na Costa Rica mas é gerenciado tanto pela Costa Rica como pelo Panama. O Parque Nacional La Amistad é conhecido pelo seu terreno rugoso e pelo seu tamanho, na verdade é um dos mais inexplorados parques na região. Com quase um milhão de acres de tamanho, essa reserva da UNESCO contém uma rica biodiversidade: mais de 250 especies de repteis e anfíbios, 600 pássaros, 215 mamíferos, e um número surpreendente de 14.000 especies de plantas que tem sido registradas. O parque também se privilegia da maior população de onças da América Central.


Uma nova espécie de salamandra anã: não maior do que um quarto (esquerda). Uma das novas espécies de salamandras é do genêro Bolitoglossa. Ela é noturna (direita). Imagens © Um Monro
O descobrimento dessas novas espécies vêm num tempo imperativo. Talvez nenhum animal táxon é mais ameaçado que os anfíbios. Cientistas tem indicado que sem ação um terço da metade dos anfíbios podem se extinguir. Dr. Monro acredita que apesar "ter havido menos estudos sobre as salamandras do que sobre os anurians" as salamandras são acreditadas serem tão ameaçadas quanto rãs e sapos. As razões são variadas; a ameaça número um parece ser uma doença fúngica chamada Chytridiomycosis, mas acredita-se que o aquecimento global, destruição de habitat, e a poluição teve também um grande impacto sobre os anfíbios. Dr. Monro afirma que é razoável supor que as três novas espécies estão vulneráveis à Chytridiomycosis e á mudança climática, acrescentando que "não há muito conhecimento sobre o declínio fora as causas em potential e seu progresso documentado. Eu sei que a Universidade da Costa Rica em associação com os Estados Unidos e as instituições do Panamá estão fazendo pesquisas sobre isso no momento." As instituições estão reagindo também: zológicos, jardins botanicos, e aquários no mundo todo começaram um programa chamado Anfíbios E Arca para estabelecer programas de reprodução de espécies em cativeiro para os 500 anfíbios mais ameaçados de extinção.

Tais instituições estão trabalhando duro para parar o declínio mundial de anfíbios, Dr. Monro e o Museu de História Natural de Londres estão catalogando as muitas espécies ainda desconhecidas para a ciencia. Juntas, essas forças ajudarão a preservar espécies que eram inteiramente desconhecidas um ano atrás. Mais quatro expedições são planejadas para o Parque Nacional La Amistad esse ano. Dr. Monro diz, "quem sabe o que se pode encontrar quando nós voltarmos?"

Uma coisa é certa: mal podemos esperar para ver.